terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Banho gostoso

Aqui em casa, a hora do banho das crianças sempre foi um momento de relaxamento, de aproximação e de intenso carinho desde quando a Lívia era bebê. Nunca, nunca mesmo, tive medo de dar banho na Lívia nem na Clarice. Sempre tive e transmiti segurança a elas, talvez por isso elas gostem e se tranquilizem comigo nesse momento do dia.
A Lívia já toma banho de chuveiro há muito tempo, desde os 07 meses de vida... e a Clarice tomou seu primeiro banho de chuveiro com dias de vida. Eu prefiro, sabe, pois há um contato maior pele a pele entre mãe e bebê. No entanto, Clarice toma banho de banheira na maioria das vezes, pois só precisa de um adulto para isso... o outro adulto, no caso o Tiago, fica com a Lívia. Mas também já dei banho de chuveiro nas duas, foi muito legal! Assim, nós três interagimos, não há ciúme, a mãe é das duas ao mesmo tempo! 
No inverno, não vejo muita necessidade de banho diário no bebê, pois não há sujeira, além do cocô que ele faz, mas dei todos os dias na Clarice, o que eu falhava era a lavagem do cabelo! Sim! A ruivinha Clarice é cabeludinha que nem a Lívia era. Então, o banho no inverno significava mais relaxamento do que limpeza em si.
Mas, no verão, é imprescindível dar banho todos os dias na caçula, pois ela é muito encalorada, sua bastante, assim como a mana! Hehehe Até mais de um banho por dia é necessário às vezes... Cocôs explosivos também causam banhos! 
A Lívia está na fase do banho lúdico. Leva brinquedos para tomar banho com ela! Geralmente ela não quer tomar banho quando a convidamos, mas o artifício de fazê-la escolher um brinquedo para o banho a faz mudar de ideia. O último brinquedo que ela quis levar foi um pônei com cabelo que sugeri de passar xampu nele! Ela adorou, é claro!!!
Assim que a Clarice conseguir ficar sentada com firmeza, a deixarei tomar banho de banheira com a Lívia para poderem brincar juntas também nesse momento tão gostoso e relaxante!

O bico e a perversidade adulta

Introduzir o bico (chupeta) na vida de uma criança é um ato perverso do adulto. Por que você sabe que um dia a criança terá que deixá-lo... Sem falar nas consequências negativas que ele traz para a saúde física e psicológica da criança.
Eu dei o bico para a Lívia... No começo, eu era contra, mas acabei dando (forçando a introdução), porque ela chorava muito antes da hora de mamar (mais um erro... eu deveria ter seguido a livre demanda e não horários fixos). Ok. Deu tempo para aprender, ainda estou aprendendo. 
A Clarice nasceu e continuo com a convicção de que bico não é necessário. Confesso que algumas vezes eu tentei fazer com que ela pegasse, mas ela venceu (graças a Deus!). Ela nasceu prematura e tinha mais necessidade de estar perto de mim, por isso queria tanto ficar no meu peito. Eu entendi isso rápido e com quatro meses ela é uma criança tranquila SEM o bico.
E a Lívia? Doce anjo... Fomos passear no shopping dia 29/11, ela viu o Papai Noel e foi direto entregar o bico a ele. (Havíamos combinado que ela daria o bico para ele em troca de um presente bem bonito que ele traria para ela). E assim foi... Na verdade, eu nem sabia que teria Papai Noel no lugar que fomos, mas tinha, e ela, prontamente, pediu o bico para dar a ele. Fiquei nervosa... pois fiquei pensando como ela iria se comportar quando quisesse o bico, na hora do sono, por exemplo. Mas a Lívia fez o que combinamos, deu o bico a ele. 
Claro que, em casa, quando bateu o soninho, ela pediu, mas expliquei exatamente o que havíamos combinado. E o Papai Noel trouxe um lindo presente a ela, mesmo quase um mês antes do Natal. Ela ainda não aprendeu essa noção de tempo tão distante, por isso o presente antecipado.
E não foi perverso isso? Você dá o bico para atender a uma necessidade imediata sua e não do seu filho... E, no futuro não muito distante, você tem que tirar isso dele! É como livrar-se de um vício... 
Bom... estou feliz que a Lívia está se desvinculando do bico. E também porque a Clarice vive muito bem, obrigada, sem ele!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Reflexões de uma mãe de segunda viagem...

Às vezes, releio o que escrevi um tempo atrás e tenho vontade de apagar. Mas também penso que não devo apagar, porque naquele momento era o que eu acreditava por certo. Eu sinto isso também agora com a Clarice bebê... Quantas coisas eu descobri serem mitos, crendices... Nem sempre a vivência te faz mais sábia. Foi necessário eu passar novamente por dificuldades para buscar ajuda profissional e aí sim entender que eu estava errada, que há outras formas de vivenciar aquilo. Refiro-me aos mitos em relação à amamentação. Por exemplo: lá na maternidade, tanto as enfermeiras como as pediatras, me ensinaram que eu deveria amamentar o bebê até esvaziar a mama. E só oferecer a outra mama na próxima mamada. Eu fiz isso com a Lívia. Resultado: eu vivia com uma das mamas com excesso de leite porque eu queria "esvaziar" a outra primeiro. Agora com a Clarice, com ajuda de uma enfermeira especializada em aleitamento materno, ela me ensinou que nunca vamos conseguir esvaziar a mama, pois à medida que o bebê mama, o corpo produz mais leite. Então, a cada mamada, uma mama. Outro mito: não beba muita água porque pode causar produção excessiva de leite. Mentira! O que provoca a produção de leite é a demanda do bebê. O que é verdade é que algumas mulheres produzem leite demais ou de menos. Enfim... eu concluí que não basta ouvir o sexto sentido materno. Quando a situação complica, tenho que ser humilde e reconhecer que preciso de ajuda. Mesmo que eu já se tenha tido uma filha antes, pois cada bebê é diferente! E apesar de ser a mesma mãe, eu aprendo coisas novas todos os dias e vou mudando com o tempo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A conquista do meu VBAC!

O relato do meu VBAC (Vaginal Birth After Cesarean - Parto Normal Após Cesárea) começa muito antes de eu desejar ser mãe.
Tenho 29 anos, sou filha de um casal separado, cuja união tumultuada gerou duas filhas. A minha irmã tem 16 anos.
Aos 19 anos, minha mãe engravidou sem querer e aos 20 dela, eu nasci. Foi parto normal e minha mãe sempre relata que quando chegou ao hospital, quis ir ao banheiro, e quando a enfermeira a viu, mandou-a direto para a sala de parto, caso contrário eu nasceria numa privada!
13 anos após meu nascimento, minha irmã nasceu, também de parto normal. E minha mãe conta que passou a madrugada inteira com contrações e quando não agüentava mais, chamou meu pai e foram a pé para o hospital. À época, meu pai e eu morávamos a uma quadra do hospital, eu fiquei em casa dormindo na companhia de uma amiga e, às 6h, minha mãe deu à luz a minha irmã. Devem achar estranho eu dizer “meu pai e eu morávamos...”, é que meu pai era separado de minha mãe, mas ela, sozinha, planejou a gravidez, e meu pai foi pai de novo, mesmo os dois vivendo separados, inclusive em cidades diferentes... Sabe como é... quando a pessoa gosta, planeja e faz loucuras... Não sei se o nome disso é amor, mas o fato é que minha irmã veio ao mundo.
A partir daí, o tempo foi passando. Conversas sobre bebês, crianças, partos, sempre surgem nas famílias, na minha não foi diferente. Minha mãe tem mais duas irmãs, e ambas fizeram cesarianas. Mas minha mãe sempre gritou aos quatro ventos que mãe mesmo é aquela pare a criança de parto normal. Eu discordo dessa opinião dela e sempre achei desrespeitosa a forma como ela manifestava seu ponto de vista, pois para ela não interessava as circunstâncias que levaram a mulher a fazer a cesariana, o que vale mesmo é ser mãe de parto normal. Bom... Parir ou não é importante, hoje eu sei, mas não é a forma como o bebê vem ao mundo que determina se a mulher será boa mãe, até porque há mulheres que não parem, adotam, e são até mais mães do que muitas que trazem seus bebês no ventre.
Enfim... em 2011, após planejamento, meu marido e eu engravidamos. A Lívia estava a caminho.
Iniciei o curso de Gestantes e Casais Grávidos do HU, participei de palestras, li livros, artigos, comentários, blogs, sites, comentários e tudo o mais sobre o mundo da gravidez e maternidade... e eu pensava que conhecia o suficiente sobre parto normal e cesariana, fazendo da minha decisão de PN ser a mais coerente. Eu dizia que faria PN, mas que a cesariana seria uma opção em último caso. E o que significava “último caso”? Não sabia dizer e, hoje, ainda penso que não sei o suficiente.
Na madrugada de 09 de junho de 2012, pela 1h, senti que havia algo estranho, pois já não conseguira pregar o olho desde que deitara na cama. As contrações iniciaram, mesmo irregulares, e eu comecei a monitorá-las. Pelas 4h, quando já estavam mais intensas, acordei meu marido e falei que era necessário irmos para a maternidade. Pegamos a mala da Lívia, pronta há algumas semanas, arrumamos minhas coisas e fomos. A uma quadra da maternidade, a bolsa estourou e molhou um pouco o banco do carro. Esta era uma preocupação: a bolsa estourar e molhar minha cama, inutilizar o colchão, por isso embaixo do lençol havia várias camadas para evitar a molhaçada. Chegando no Ilha Hospital e Maternidade, fui atendida pela médica plantonista, Halana, que fez o exame de toque e constatou 4 cm de dilatação. Fui internada, e o TP continuou a evoluir. A médica entrou no TP comigo, me ajudava na respiração, nas posições menos desconfortáveis, mas as contrações eram muito dolorosas. Eu queria PN, mas as dores estavam cada vez mais terríveis. E, infelizmente, o plantão da médica Halana finalizou às 8h, e assumiu a médica Suzana. Meu TP estava a todo vapor, cada contração era um sofrimento só, saia líquido, fluidos, sangue e lembro que eu tinha nojo de mim... a enfermeira Rosana dizia que era normal, que eu não precisava ter nojo, que eu não precisava ter vergonha caso fizesse cocô, isso eu lembro que morria de vergonha, mas não cheguei a fazer. Usei a bola, sentava no vaso sanitário para fazer xixi, mas não saía nada, usei o chuveiro, a banheira e nada das contrações aliviarem. Fiquei decepcionada com a banheira, pois eu lera que ali tudo ficava mais ameno... e quando entrei, nada. E a médica sentada no canto só dizia “se precisar de alguma coisa, estou aqui”. Quê? Estava nada... só o corpo dela estava ali, a cabeça estava em outro lugar. Eu precisava de alguém para me orientar, mas não tinha esse alguém ali. O Tiago estava comigo o tempo todo, me apoiando, me massageando, mas não sabia o suficiente... enfim, ele não era uma doula. Vários toques foram feitos pela médica Suzana, durante as contrações, e eu reclamava muuuuito, e o último deu 9 cm... ela rompeu a bolsa novamente para ajudar a Lívia a descer... Estávamos quase lá, só que a partolândia é tão poderosa que me rendi a ela. A médica ofereceu analgesia, aceitei de imediato, ela fora chamar o anestesista que demoraria não mais que 20 minutos. Só que esses minutos duraram uma eternidade, quando ela voltou com ele, eu apelei para a cesariana. E o que eu ouvi diante dessa súplica?
 “Tem certeza de que você quer a cesárea?” Ãhhhhhh?????? Certeza? Eu? Claro que não! Perguntei para o Tiago o que ele achava, em meio a contrações insuportáveis, ele concordou comigo. Ele sim tinha certeza do que estava fazendo ali: me apoiando em tudo, afinal, ele não queria me ver sofrer, queria o melhor para mim. E partimos para o centro cirúrgico. Tirei brincos, corrente, anel, etc (coisa chata para fazer antes da cirurgia), fui gemendo no elevador e chegamos na sala fria, branca e iluminada.
A anestesia nas costas, sem poder me mexer, e logo me deitaram na cama, organizaram tudo e uns 15 minutos depois, no máximo, a Lívia nasceu. Nasceu? Eu perguntei. A médica disse sim. Mostrou-me a Lívia do alto e naquele instante meu mundo se transformou. Caí em lágrimas de intensa emoção. E sempre que me lembro desse momento, eu me emociono. Em seguida, colocaram-na no meu rosto por uns 5 minutos (acho que é muito tempo), Tiago fotografou e levaram-na de mim. Tiago foi com a Lívia para acompanhar os procedimentos, o banho, etc. E eu? Fiquei ali sentindo minhas pernas serem manipuladas, a mesa balançar. Depois de um tempo, o Tiago voltou com a Lívia no colo, com roupa vermelha, minúscula. Os olhos dele brilhavam... a cena era linda. Os dois se completavam. Fui levada para a sala de recuperação. Ficamos os três lá por muito tempo. O tempo para minhas pernas voltarem a sentir algo... A Lívia nasceu 10h48min. Lembro que fui amamentá-la apenas às 12h30min. Por que tanta demora pra sair daqui? Eu perguntava cada vez que a enfermeira aparecia... eram as pernas... e na penúltima vez que ela apareceu, me perguntou porque a Lívia estava com o Tiago ainda. Eu que não sabia. Então, ela colocou a Lívia sobre mim, e a minha filha mamou pela primeira vez. Quão feliz eu fiquei! O instinto da criança é incrível, o corpo feminino também. Meus seios tinham o alimento perfeito para minha filha desde a gravidez!
E assim foi... a Lívia nasceu em um sábado e ficamos na maternidade até segunda de manhã. Muitos medicamentos, dores, dificuldade para rir, tossir, fazer xixi (sim... a primeira vez que fui fazer xixi, mesmo com a bexiga estourando, não saiu nada, e as enfermeiras diziam que era muito normal e mandavam eu tomar mais água), e muuuuitos gases. Mas eu estava no céu, feliz com meu bebê e meu marido. Ô ingenuidade.
O tempo passou e eu continuei me informando, me atualizando no mundo da maternidade, da gravidez, dos bebês. Claro que a prática no dia-a-dia é o que nos mostra o quão somos capazes de nos adaptar com um novo ser em casa e amá-lo incondicionalmente, mesmo sem dormir direito, comer quando dá... tudo fica pra depois, pois o bebê é prioridade.
A Lívia continua crescendo lindamente, hoje já está com 2 anos e 2 meses, mas eu percebi que algo tinha saído errado no nascimento dela. Eu não conseguia aceitar que o PN não dera certo. E minha história passava mil vezes pela minha cabeça, a culpa e a não aceitação da minha cesárea só aumentava. Eu queria ser mãe de novo, mas a segunda vez seria diferente, eu iria parir, fazer de tudo para isso acontecer.
Numa sexta-feira do fim do ano de 2013, matei o dia de academia e fui ao cinema sozinha e, felizmente, assisti o documentário “O Renascimento do Parto”. Chorei do começo ao fim e saí ainda mais certa de que minha cesárea não era para ter acontecido e que o segundo bebê que viesse a ter sairia de mim da forma mais natural possível.
E assim foi. Engravidei em novembro de 2013, continuei em busca do meu empoderamento, inclusive, contratei a Cris (Doula).
Em junho de 2014, fiz um ultra-som em que foi diagnosticada placenta baixa. Já no grupo de doulandas da Cris perguntei o que era isso, na consulta com ela também perguntei e me explicaram e, dependendo da situação, isso pode impossibilitar um PN. No entanto, na consulta com minha obstetra (GO), perguntei o que era, mas a única coisa que ela disse várias vezes foi “fica tranqüila, tua placenta vai subir”. Ok... Mas o que era placenta baixa? Naquela consulta decidi que meu lugar não era ali. Ao chegar em casa, já agendei minha primeira consulta com o Dr. Fernando Pupin e, com 30 semanas da segunda gestação, ele me atendeu muito carinhosamente e disse que seria uma honra para ele poder me acompanhar se fosse da minha vontade e da vontade do meu marido. Foi tarde, mas foi em tempo que mudei de GO. Voltei no Dr. Fernando com 34 e 36 semanas, e as notícias sempre boas: Clarice e eu saudáveis. Na primeira consulta com ele, é importante dizer, que a Clarice estava sentada, eu sentia muitos incômodos com suas mexidas. O médico, ao senti-la na minha barriga, manipulou-a tão facilmente que a rapariga virou e encaixou! Fiquei surpresa com a facilidade. Mas ele teve a impressão de que ela estava virando novamente. Ele não manipulou mais naquela consulta porque senti um pouco de desconforto, mas fui embora feliz!
Como até a 34ª semana continuei incomodada, pensei que ela ainda estivesse sentada, mas ao retornar com o Dr. Fernando, ele me examinou, fez um ultra-som e constatou que ela ainda estava encaixada. Então foi só alegria! Entre a 30ª e a 34ª semanas, a Cris sempre me tranqüilizada dizendo que ainda havia tempo para a Clarice virar, só que minha ansiedade era tamanha que rezava e conversava todos os dias para a menina virar... e ela já estava virada! Kkk Só que eu já estava determinada: mesmo que a Clarice se mantivesse pélvica, meu parto seria pélvico!
Com 35 semanas e 6 dias, comecei a sentir os pródomos. Mas pra mim eram as contrações naturais de Braxton Hicks, as de treinamento. E como eu tinha consulta com Dr. Fernando no dia seguinte, fiquei tranqüila. Com 36 semanas, dia 24 de julho, fui consultar com ele. Falei que as contrações estavam presentes desde o dia anterior. Ele, então, pediu permissão, fez o toque e constatou que eu estava com 1cm de dilatação e colo apagando. Fiquei preocupada, pois ele havia me dito em consultas anteriores que era para eu me preparar apenas a partir de 37 semanas e ainda faltava uma para chegar. Mas ele me tranqüilizou e orientou-me a arrumar a malinha da Clarice (eu não havia lavado nada ainda). Mesmo assim, saí do consultório feliz. O importante é que minha segunda filha viria de PN e tudo estava se encaminhando para isso.
Antes de começar a contar do TP, quero deixar registrado que essa gestação, apesar de planejada e amada, foi bem difícil. É que passamos por muitas situações de estresse e ansiedade com troca de apartamento. Vendemos o que morávamos, compramos outro, mas até entrar no novo, foi uma novela, chegamos até morar um mês de aluguel. Mudamos dia 19 de julho para o novo lar, passei a semana inteira acompanhando obras no apartamento (pintura, colocação de piso, instalação de móveis, faxinas intermináveis e improdutivas), e a Clarice nasceu dia 28 de julho. Eu só rezava a Deus e conversava com ela, pedindo que ela esperasse o fim das maiores arrumações no apartamento. E ela esperou.
No mesmo dia 24, recebi a visita dos meus sogros e da minha concunhada em meio à bagunça do apartamento. Dia 26, veio meu cunhado e todos voltaram para sua cidade dia 27 de tarde, por volta das 16h. E desde o dia 23, a cada dia, as contrações estavam cada vez mais intensas, mas eu me tranqüilizava e rezava em silêncio. Após a ida das visitas, Tiago, Lívia e eu fomos passear no shopping: comemos bolo, a pedido da Lívia, trocamos o presente de dia dos pais do Tiago, passeamos e fizemos compras. Quase chegando em casa, no semáforo a uma quadra de casa, tive uma contração forte, às 19h32min, e falei para o Tiago que era hora de começar a monitorá-las. Ao chegar em casa, entrei em contato com a Cris, falei da situação, e ela disse para eu monitorar as contrações (intervalos e duração) por uma hora e retornar a ela. Cris perguntou qual a intensidade da dor de 1 a 10, eu pensei, disse 7 achando um exagero. Mas estavam bem suportáveis, mas com intervalos menores entre elas. Uma hora e meia depois falei com a Cris, mandei a foto das anotações das contrações (não consegui usar o aplicativo que baixei no celular), e ela disse pra eu ir pra maternidade. Eu não queria ir. Eu, então, chorava de preocupação com a Lívia. Estava tarde, era domingo, eu queria a Lívia perto de mim. Como eu iria pra maternidade? E ela? Já estava tudo acertado, inclusive no plano de parto, que Tiago e Lívia ficariam comigo na maternidade, mas como esse momento parecia se aproximar, a aflição se apoderava de mim. Colocamos a Lívia para dormir e fomos dormir. Deitada as contrações eram insuportáveis e eu voltava a chorar. Pela 1h da manhã, chorando, levantei e disse para o Tiago que não dava mais para ficar deitada, a dor era muito forte e decidi arrumar a mala da Clarice. Eu havia lavado as roupinhas no dia anterior e algumas coisas ainda estavam secando no varal. Abri o computador, peguei a lista e comecei a colocar as coisas na bolsa. Não eram (e não são) muitas e coloquei quase tudo. As contrações iam e vinham e, a cada uma, eu me abaixava chorando. Arrumei tudo, as minhas coisas, as da Clarice e pedi para o Tiago arrumar a Lívia e as coisas dela. Lembro que a vi dormindo lindamente com a roupa que o Tiago tinha colocado nela para sairmos. Pedi para o Tiago falar com a Cris de novo, que já estava a postos, e combinaram de a pegarmos e irmos pro Ilha. Antes das 2h, saímos, pegamos a Cris e fomos para a maternidade. As contrações dentro do carro eram intensas. Eu gemia baixinho, eram dores suportáveis e também não queria assustar a Lívia. Depois a Cris relatou no grupo de doulandas que a Lívia acordou e, a cada contração que eu tinha, ela respirava no mesmo ritmo que eu gemia de dor. Realmente um TP em família.
Chegando à maternidade, a Cris desceu comigo, enquanto o Tiago foi estacionar o carro. Para minha surpresa, quem estava de plantão? A mesma médica que fez minha cesárea. Voltei a chorar. Cris perguntou se eu estava bem e se eu queria a plantonista. Eu disse que estava preocupada e que era para chamar o Dr. Fernando. Tiago ficou envolvido com a Lívia, enquanto a Cris e eu entramos no consultório para que a médica me avaliasse a pedido do Dr. Fernando (ele e a Cris estavam em contato pelo whatsapp). No consultório, respondi as perguntas padrões, em meio a contrações. A médica sugeriu de eu me vestir para fazer o exame de toque, mas eu quis fazer xixi primeiro. Incrivelmente as contrações eram suportáveis, eu chorava mesmo de preocupação com a Lívia. Eu não queria estar na maternidade, queria estar em casa. Fiz xixi, coloquei a camisola, deitei na cadeira de exames com dificuldade, e a médica veio fazer o toque. Pediu pra eu relaxar e fez o toque. Não sei se relaxei, mas não senti dor. E a surpresa: ela disse que eu estava com 6-7cm de dilatação. Já fiquei p... da cara. Ou 6 ou 7! A bronca com ela continuava. Voltei pra recepção enquanto o Tiago fazia minha internação, e o Dr. Fernando apareceu com uma carinha de cansado! Quando o vi, me tranqüilizei. Fomos para a sala de parto. Lá chegando, a Cris me ajudou a me arrumar. Eu não sabia o que fazer, que coisa louca. Era contração atrás de contração, mas tudo controlável, eu estava civilizada. Cris atenciosa e carinhosa, sempre ao meu lado, oferecendo os recursos que a sala tinha (chuveiro, banheira, cama). A enfermeira colocou o antibiótico em mim, e eu quis ir para o chuveiro, pois a água quente aliviava, lembrei do último banho que tomei em casa que foi tão relaxante. E, de repente, numa contração, a bolsa rompeu e doeu. Vi o sangue escorrendo pelo ralo. Ficamos ali um tempo. Eu quis sair. Com a bolsa rota, as dores aumentaram um pouco, mas eu me sentia forte e só pensava que tudo aquilo ia passar. Lembro-me de que o Tiago e a Lívia iam e vinham toda hora, eu conversava com a Lívia, ela dizia que eu estava dodói, eu explicava a ela o que eu sentia, mas sempre dizendo que eu estava bem. Eu não lembro com exatidão das coisas que aconteciam, estava preocupada, com sentimentos estranhos, acho que era medo de não parir, mas estava feliz que a Lívia estava ali com o Tiago. A Cris sugeriu a banheira, eu aceitei com a condição de que ela me ajudasse a ficar numa posição confortável. Entrei me ajeitei e as contrações pioraram tanto... Acho que nesse momento entrei também na partolândia. Era muuuuita dor. O Dr. Fernando estava lá também. A cada contração eu dizia: “Cris, vem outra, me ajuda!” Ela dizia calmamente que a cada contração minha filha estava mais perto. Doía taaanto. Eu só pensava que aquilo ia passar e pedia a Deus que me desse força. Mas a partolândia é loucura, a gente pira e sai de si mesma. Depois de muitas contrações, ver meu sangue deixando a água rosa na banheira, sentir que meus ossos da região genital iam quebrar, gemer de dor, ver minha filha ali com Tiago e pedir para ele tirá-la dali, eu temia não conseguir parir. A Cris percebeu isso. Ela disse, então, para eu esquecer o parto da Lívia, que esse era outro momento, que as dores eram intensas sim, mas que eu ia conseguir, que era para eu acreditar no meu corpo, em mim. Eu não dizia que não ia conseguir, eu dizia que tinha medo. Nesse TP, eu conheci a vontade de empurrar. Eu não sabia o que era isso, no TP da Lívia eu não cheguei nessa fase. A vontade é incontrolável, assim como urrar também era. Eu não gemia, eu urrava. Em certo momento, a Cris e o Dr. Fernando sugeriram eu ficar de quatro apoios na banheira para ficar mais confortável e conseguir descansar entre as contrações. Foi uma luta eu trocar de posição. Tudo doía, eu estava exausta. Quando, por fim, me arrumei, as dores pioraram e implorei analgesia para o Dr. Fernando. Ele, calmamente, disse que não daria para fazer, que talvez não pegasse na fase que eu estava. Implorei de novo, e ele, determinado, disse um não categórico. Depois desse não necessário, seguro, eu me resignei, a vontade de empurrar me dominou, empurrei, urrei, e a cabeça da Clarice saiu. Ui, como doeu! E a cabeça ficou ali. Eu reclamei que estava doendo, perguntei o que fazer, e a Cris disse que era para esperar a próxima contração. Que horror, eu pensava, parecia que ia rasgar meu corpo. Na contração seguinte, eu não senti dor, não me lembro de sentir algo, lembro que empurrei e urrei com toda minha força, e a Clarice saiu junto com um grande alívio que se estabeleceu em todo meu corpo. Nessa hora de expulsão, o Tiago estava na minha frente com a Lívia no colo, a vi chorar quando gritei descontroladamente. Ela, chorando, escondeu o rostinho no pescoço do Tiago. Depois que a Clarice nasceu, eu disse para a Lívia que não precisava chorar porque a mamãe estava bem e que a Clarice havia saído da minha barriga.
O Dr. Fernando colocou a Clarice no meu colo, o Tiago e a Lívia sentaram-se atrás de mim, a Cris ali junto cuidando de mim, e após o fim da pulsação, Tiago cortou cordão umbilical. O sangue espirrou no meu rosto. A Clarice era minúscula e estava toda branquinha do vérnix. Eu estava mergulhada na banheira de líquido rosa e quente. Minha família estava ali comigo. As pessoas que EU escolhi estavam comigo no momento de vitória conquistada! Eu só dizia: “eu consegui”! Nem eu acreditava! Foi lindo, intenso, maravilhoso!
A Clarice foi examinada ali no quarto e teve que curtir a UTI por algumas horas por ter nascido prematurinha e com a respiração acelerada. Mas fiquei com ela um tempinho antes de ela partir. A Lívia estava ali ao meu lado e disse que estavam colocando fralda na Clarice. Depois levaram minha RN, e eu fui de cadeira de rodas para o quarto. A exaustão era tanta que eu não tinha forças para andar. Acho que foi a primeira voltinha de cadeira de rodas que dei. Nós três fomos para o quarto, nos organizamos para dormir, Cris veio se despedir, me deu os parabéns e disse que entrava em contato comigo no dia seguinte. Isso era umas 4h eu acho. Vi meus dois amores dormirem no sofá de acompanhantes, e eu não conseguia pregar o olho, estava tentando acreditar em tudo o que eu tinha passado. Peguei no sono e quando acordei, pelas 7h, era a Clarice chegando, minha miudinha voltara da UTI muito bem e não precisava mais retornar para lá. Ela seria só nossa a partir daquele momento. Claro que Lívia e Tiago acordaram e ficamos curtindo nossa pequenina. A Lívia de pequena passou para grande! Como cresceu quando a Clarice nasceu! Eu olhava para aquele rostinho enroladinho nos panos e só pensava que eu tinha conseguido parir. Eu conquistei o meu VBAC! E o mais legal disso tudo é que eu o conquistei da maneira que eu tanto queria: com minha doula, meu médico e, principalmente, com minha filha e meu marido presentes! Fui respeitada em todos os momentos. Apesar do medo e da preocupação, meu corpo mostrou que é capaz de parir sem intervenções medicamentosas. Eu pari naturalmente minha segunda filha na água. Não só eu, mas minha família teve um VBAC. Superei o trauma e a culpa da cesárea desnecessária que tive há dois anos. Eu pari! Sim, eu pari!
Doeu? Sim. Mas não há um “mas” se quer que me fez desistir. Eu só consegui porque estava com as pessoas certas e porque eu desejei a cada dia esse VBAC.
Então, desejo que muitos e muitos partos normais e naturais aconteçam, que muitos VBAC se concretizem e que muitas cirurgias cesarianas necessárias ocorram para salvar vidas. Tudo isso em prol da vida!
Agradeço a Deus pela oportunidade de ser mãe de duas filhas amadas, de ser esposa de um marido tão maravilhoso e de ter sido acompanhada pela Cris e pelo Dr. Fernando Pupin para a realização do meu sonho!


PS.: não sou mais ou menos mãe porque pari. Sinto-me mais mulher por tudo que passei. Não amo menos minha Lívia porque ela veio ao mundo através de uma cirurgia. Orgulho-me de ter passado por um TP antes da cesárea desnecessária e por ter tido coragem e determinação para buscar e conquistar o VBAC. Dedico, portanto, esse VBAC à Lívia e ao meu marido, pois eles foram a inspiração disso tudo.

Observação 1:
Chegamos ao Ilha Hospital e Maternidade por volta das 2h da madrugada do dia 28/07/2014, e a Clarice nasceu às 3h34min.

Observação 2:
Siglas:
PN: parto normal/natural 
GO: ginecologista-obstetra
RN: recém-nascida
UTI: unidade de tratamento intensivo
VBAC: vaginal birth after cesarean

terça-feira, 10 de junho de 2014

2 anos da Lívia!

Quando temos filhos, todos os dias são especiais, pois aprendemos com eles a cada instante!
Mas ontem foi um dia ainda mais especial, foi o aniversário de 2 anos da nossa amada Lívia! Preparamos uma festa bem simples para ela na escola, com bolo decorado da Peppa, salgadinhos, docinhos, sucos e “tinatina” (gelatina). Alguns balões para decorar e muito, muito amor!
Eu estava tão feliz, animada, curiosa para saber a reação dela ao nos ver na escola, um espaço exclusivo dela. E quando a turminha do Maternal A chegou com as professoras, eu estava de costas para a porta e só vi quando ela correu e abraçou o Tiago que estava em minha frente! E o encanto aumentou ainda mais! Ela estava feliz! E durante todo o tempo ficou à vontade!
Ajudamos as professoras a colocar as crianças sentadas nos bancos para iniciar aquele evento festivo tão esperado, pelo menos, por mim! 
Cantamos parabéns, ajudei a Lívia a assoprar a velinha, confraternizamos com nossa pequena junto dos amigos e das amigas da escola, das professoras e coordenadora. Foi muito legal! Volta e meia a Lívia vinha e nos dava abraços apertados, conversava conosco, nos mostrava as/os coleguinhas.  
Para mim, foi mágico! Fiquei muito feliz de poder estar com nossa filha na escola dela, no espaço que ela convive todos os dias. Éramos convidados dela. Um sentimento de gratidão, missão cumprida veio em meu coração. 
Na hora de ir ao banheiro lavar as mãos, antes de retornar à sala, as professoras chamaram todas as crianças, e a Lívia convidou a mim e ao Tiago para irmos juntos, mas dissemos que não iríamos, pois era só para ela e os coleguinhas irem. Ela foi tranquilamente. Ficamos Tiago e eu arrumando as coisas para irmos embora. E a lembrança de uma tarde feliz ficou registrada em nossas memórias. 
Repito, foi algo simples, mas muito significativo! Certamente a Lívia aproveitou o momento dela, pode entender que aquela comemoração era para ela, pela importância que ela tem para nós e para aqueles com quem ela convive na escola! 
No ano anterior, fizemos uma festa de um ano para ela também, foi tudo lindo, ela brincou bastante, mas não sei se o significado foi o mesmo que o de ontem. Talvez não, apesar de que sempre explicamos para ela o que vai acontecer (dentro do possível), do que está acontecendo, do que aconteceu. Enfim... Esse é nosso papel enquanto pai e mãe da Lívia, mostrar a ela os caminhos, ensiná-la a conviver com as crianças e com os adultos que a cercam, respeitando a todos, respeitando regras; estabelecer limites; dizer não, enfim, educá-la para uma vida feliz. Parece tão fácil ao escrever, mas o dia-a-dia é intenso e difícil, porém gratificante, pois são nos momentos mais singelos que vemos o quanto nosso papel está sendo bem desempenhado.
A doçura da Lívia é algo encantador. Isso é dela unido ao amor que transmitimos a ela todos os dias. Nesse mesmo caminho, pretendemos guiar a Clarice, para que ela seja tão encantadora quanto nossa amada Lívia!
Feliz aniversário, Lívia! Com amor, tua mamãe, Morgana.





segunda-feira, 2 de junho de 2014

Lívia: uma filha surpreendentemente maravilhosa!

Aí, ontem, 01/06, por volta das 21:30, estávamos Tiago, Lívia, Clarice in barriga e eu curtindo a finaleira do domingo... E eu com uma vontade louca de comer doce, poderia ser qualquer coisa, pois não tinha nada em casa mesmo para enganar, então eu pensava num sorvete. De repente eu disse: "filha, a mamãe quer comer um doce!" Ela repetiu: "doce", com uma carinha de interrogação... O Tiago estava sentado no sofá, eu no chão apoiada nele, e ela em pé na minha frente. Depois que verbalizei meu desejo, ela saiu das minhas vistas, continuei conversando com o Tiago, e, de repente, ela veio com um potinho e uma colher e me entregou, dizendo: "doce, mamãe!" Fiquei paralisada e olhando aqueles olhinhos de ternura, de querideza e de preocupação comigo. Foi lindo demais! Eu agradeci imediatamente, disse que ela era uma querida, um amor de criança, a puxei e dei um beijo estalado e um abraço apertado!
Depois, começamos a brincar com ela de comer o doce, ela dava gargalhadas! Às vezes ria envergonhada! Mas sempre muito amorosa! 
Foi lindo! 
Aquele olhar dela vai ficar marcado para sempre em mim. Fico feliz de saber que isso é, também, resultado da educação que damos a ela, além da essência amorosa que já veio com ela.
Obrigada, meu Deus, por este tesouro tão precioso que é a Lívia! Obrigada por me permitir ser a mãe deste ser tão iluminado! 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Semelhanças e diferenças nas gravidezes

Há sensações que eu nunca esquecerei, principalmente quando se referem as minhas filhas.
Quando desconfiei estar grávida pela segunda vez foi exatamente a mesma coisa que da primeira vez: dois dias antes de menstruar eu já desconfiei que algo estava diferente. Nos dias anteriores a data prevista para menstruar, meu corpo costuma produzir uma secreção marrom, o escape, como médicos costumam dizer. Mas naquele 10/12/13 nada veio. Nem 11/12. Já estava com a pulga atrás da orelha, falei com uma amiga, e ela já falou pra eu fazer o teste de farmácia. Afinal, o que eu estava esperando? Boa pergunta. Fiquei com aquilo na cabeça. Uma insegurança bateu de repente. Saí do trabalho, dia 11/12, passei na farmácia e comprei o teste. Fui para casa, passou a tarde e o teste ali lacrado. Guardei. Perto da hora de buscar a Lívia na escola, deu vontade de fazer xixi e, então, eu pensei, “já que comprei o teste, vou fazer”. Fiz. E a coragem para ver o resultado? Olhei. Dois risquinhos. POSITIVO! Eu só pensava: “estou grávida, e agora?” Que estranho... Eu já havia passado por isso e por que estava me sentindo assim? Não sei. Fui buscar a Lívia na escola e quase chegando lá comecei a chorar... Um medo invadiu meu ser. Medo de não saber amar as duas crianças da mesma forma. Medo de deixar de amar a Lívia, meu tesouro. Medo de não amar esse ser que já está em meu espaço novamente. Peguei minha pequena, a abracei como de costume e dali em diante não fui mais a mesma... Eu seria mãe pela segunda vez nesta vida.
E o que dizer para o Tiago? Quando ele abriu a porta de casa, a primeira coisa que eu disse foi: “tenho uma coisa para te falar”. Ele disse: “tu tá grávida?!”. Eu disse: “sim” e caí em prantos, pedindo para que ele não brigasse comigo. Por que brigaria? Pensei eu porque quando ele me perguntou se havia problema naquela noite, eu disse “não”. Na verdade, foi uma resposta incompleta. A resposta deveria ter sido “não sei”, pois era um dia de risco, com possível fertilidade. E bastou! Engravidei naquele dia de novembro.
Bom... Depois de cair em prantos, ele me abraçou e disse: “calma, agora é só nos organizarmos”. Parecia tão fácil pensar assim! Mas como da primeira vez, ficamos sem muito o que dizer sobre a gravidez. Estávamos surpresos! Eu queria muito engravidar de novo, antes mesmo do tempo que ele havia proposto (esperar a Lívia completar dois anos), mas eu havia proposto que iniciássemos os trabalhos mais cedo, já que da outra vez foram cerca de 6 meses até a Lívia ser concebida. Então, era para eu estar pulando de alegria! E não estava. Eu estava aflita. Eu estava com medo de não saber amar.
Depois disso, os mesmos procedimentos: consulta com obstetra, exames de sangue de rotina, incluindo o Beta HCG que determina a gravidez, e as orientações gerais de um começo de pré-natal. Abrindo um parêntese, ao sair da primeira consulta da segunda gravidez, com as requisições de exames em mãos, titubeei antes de decidir ir ao laboratório coletar o sangue para confirmar a gravidez. Exatamente como da primeira vez. Mas voltei, coletei o sangue e pensei “seja o que Deus quiser”. E assim foi. Na mesma tarde, saiu o resultado confirmando o que eu já sabia.
Porém, nesta gravidez, algumas coisas foram diferentes. Não espalhamos para Deus e o mundo que estávamos grávidos. Contamos para nossos familiares mais próximos, contei para minhas melhores amigas e ponto. Por quê? Por que a primeira experiência já foi o suficiente para me mostrar que os especialistas em úteros grávidos e afins brotam de lugares inimagináveis e eu queria me preservar dos trilhares de questionamentos e palpites, pelo menos enquanto a barriga fosse disfarçável!
À medida que o tempo foi passando, fomos contando a novidade para amigos, conhecidos, desconhecidos (eu descobri que tenho o dom de conversar com estranhos em diferentes lugares – consultórios, filas, sei lá...), colegas de trabalho, etc, etc, etc. O facebook foi um espaço deixado por último na lista de prioridades a serem informadas da nossa segunda gravidez, pois ali o mundo está dentro de nossa casa e nós estamos num mundo sem limites muitas vezes. Aguentamos bastante tempo.
E claro que a pessoinha mais importante de nossas vidas até o momento, a Lívia, soube da novidade em primeira mão. Como ela ainda é uma piolha, como a costumo chamar carinhosamente, não dá para descarregar um monte de informações e explicações a respeito de gravidez, bebê, irmão, tudo de uma vez, ainda mais numa linguagem que ela entenda. Ela está falando, entendendo, se apropriando do mundo da linguagem falada o tempo todo, então com ela tudo tem que ser todos os dias e devagar. Hoje, já sabemos que a Clarice está em nossa barriga. Já disse diversas vezes à Lívia que a Clarice é um bebezinho que está dentro da barriga da mamãe, que será irmã dela e que poderá ensiná-la sobre todas as coisas que ela já sabe, que poderão brincar juntas, enfim, compartilhar esse mundo juntas. Quando perguntamos pra Lívia onde está a Clarice, ela imediatamente coloca a mãozinha em minha barriga. Repete pra lá e pra cá “Caíce”. Um amor de criança.

Dessa vez, decidi fazer acompanhamento nutricional durante a gravidez, até porque já estava fazendo desde os 8 meses de vida da Lívia fora da barriga. Mas confesso que é muuuuuuuuuuuuito difícil respeitar o planejamento alimentar feito por minha nutricionista. Ora por preguiça (grande parte das vezes), ora por desleixo, ora por motivos que só uma grávida pode inventar. No pensamento eu digo que vou fazer tudo certinho, mas ao me deparar com alguma coisa que não deveria comer, a coisa muda de figura. E, dependendo do dia, eu consigo me controlar, mas ,como eu disse, é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito difícil ser saudável. Logo que descobri essa gravidez, fiz mais dois dias de academia e abandonei tudo! “Estou grávida!” Essa era a justificativa! Kkkkkkkk Mas voltei a me mexer um pouco há cerca de um mês... Retornei ao Pilates. Tem dias que parece que vou quebrar ou arrebentar, de tão parada que estou. No primeiro mês, fiz Pilates um dia por semana com drenagem também uma vez por semana. Mas como ando muito de carro e, às vezes, não consigo caminhar por aí, troquei a sessão de drenagem por mais um dia de Pilates na semana e tenho me esforçado para caminhar mais.

Como da primeira vez, nas primeiras semanas da gravidez, após descobri-la, pensei que seria tudo lindo e maravilhosos e sem enjoos. Mas essa ilusão foi por água abaixo com enjoos mais intensos do que da primeira vez. E algumas coisas não pude mais nem ver na frente: alface e saladas em geral, gorduras saudáveis, as oleaginosas (castanha de caju, do pará, noz...). É isso que eu lembro. Mas minha nutricionista, é claro, sugeriu alimentos que eu pudesse comer para suprir essas coisas que eu nem queria imaginar no prato.

A azia iniciou mais cedo do que da outra vez, principalmente no período inicial da gravidez, até porque eu estava comendo mal pra caramba, então a acidez me corroía. Depois que voltei à nutri, melhorou um pouco. Várias vezes eu precisei dormir meio sentada...
Hoje eu me sinto bem e mal! Kkkkkk Sabe aqueles desenhos que tem a pessoa com o anjinho soprando num ouvido e um diabinho em outro? Então, me sinto sendo a diabinha querendo enfiar o pé na jaca e comer e comer... E a anjinha é minha nutri. Kkkkkk Diante disso, amo elogios do tipo: “De costas nem parece que você está grávida. Você só tem barriga”. Que lindo! Fico tão feliz! Kkkkkkkkk

Apesar de estar pouco mais da metade da gestação, eu tenho me sentido muito cansada, pois não tenho descansado quando chego em casa. Eu chego em casa e vou fazer coisas domésticas para manter o mínimo de limpeza e organização, além de garantir comida à mesa para a Lívia principalmente!

No trabalho, tenho me sentido como da outra vez, com uma vontade louca de ficar em casa dormindo e contando os dias para minha licença-maternidade! Kkkk


Enfim... estou vivendo mais um momento mágico, de criação, de geração de uma nova vida. Isso é maravilhoso, espetacular! Sentir meu bebê mexendo é muito legal, uma sensação da qual sentirei saudades... Pena que estou tão ansiosa e, às vezes, corro o risco de não estar aproveitando tanto essa gravidez como aproveitei a da Lívia, até porque não sou mais marinheira de primeira viagem. Mas uma coisa posso afirmar, apesar de eu já ter vivido isso uma vez, cada gravidez é única, cada sentimento é único, cada bebê é único. O importante é saber aproveitar, saber vivenciar cada momento. E tenho curtido muito essa barriga, mesmo com meus loucos pensamentos, e curtido ainda mais cada dia da vida da Lívia! Cada dia ela nos surpreende positivamente com suas conquistas, seu crescimento, seu desenvolvimento! Sou muito grata por tudo isso que estou vivendo e por ser protagonista da história da minha filha! Não troco minha vida atual por uma vida de balada, night, festas, liberdade para “curtir”. Prefiro curtir minha família, é muito mais gratificante. Além disso, tenho me tornado cada dia uma pessoa melhor para minhas filhas, para meu marido, para o mundo e principalmente para mim.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Gravidez: dois corpos no meu espaço pela segunda vez!

"Agora que todos veem que estou grávida, [...] [todos] têm conselhos para me dar. [...]*
A não ser partindo para uma reclusão numa ilha deserta, não há como a gestante evitar os conselhos gratuitos das pessoas que a cercam. Há alguma coisa nos ventres grávidos que fazem aflorar os "especialistas" que habita em nós. [É só a gestante carregar a filha mais velha no colo e vai aparecer alguém para repreendê-la: "Você não deveria carregá-la nesse estado!"] É só trazer para casa duas sacolas de supermercado [eu trago bem mais, se necessário!] e vem a reprimenda: "Você acha que deveria estar carregando todo esse peso?" Ou basta espichar o braço para tocar a campainha do ônibus e vem o aviso: "Se você ficar se espichando desse jeito, o cordão pode se enrolar no pescoço do bebê."
Entre esses conselhos gratuitos e as previsões inevitáveis sobre o sexo do bebê, o que fazer? Em primeiro lugar, lembrar que quase tudo o que se ouve é pura bobagem. As velhas histórias das avós que tinham findamento foram consubstanciadas cientificamente e se tornaram parte da prática obstétrica. As que não tinham, embora ainda estampadas na tapeçaria da mitologia gestacional, podem ser absolutamente ignoradas. As recomendações que deixam a gestante em dúvida - "E se estiverem certos?" - devem ser discutidas com o médico ou com outro profissional da área.
Seja uma possibilidade plausível, seja uma coisa obviamente ridícula, não se pode deixar que os conselhos nos façam perder a cabeça. Ninguém, nem a gestante, nem o bebê, se beneficiará com o aumento das tensões. Convém, portanto, manter o senso de humor e fazer das duas, uma: ou informar com polidez ao bem-intencionado estranho, amigo ou parente que já tem um obstetra competente para dar conselhos e que não é possível aceitar os conselhos de mais ninguém, ou sorrir polidamente, dizer obrigada e seguir em frente, deixando que os comentários entrem por um ouvido e saiam pelo outro -  sem paradas no caminho.
Independente do que se faça, contudo, é preciso se habituar a ouvi-los. E se há alguém que atraia mais conselheiros que uma mulher grávida é uma mulher com um bebê no colo."
*Trecho, com minhas adaptações, extraído do livro "O que esperar quando você está esperando", (MURKOFF, et al, 2011, p. 266).

Bom, pessoal! 
Depois de 5 meses sem passar por aqui, muitas coisas ocorreram nesse espaço de tempo. E a mais importante delas é que estou grávida novamente. Hoje são 17 semanas e 6 dias. Não tenho certeza do sexo do bebê ainda e dessa vez não estou aceitando presentes da cor rosa, pois o médico disse "acho que é menina". Então, até que se confirme, as chances de ser menina são as mesmas de ser menino: 50%.
Os nomes já temos: Clarice ou Henrique. Pensem o que quiserem e não me digam nada, pois minha mãe teve a infeliz ideia de dizer que acha Clarice feio e já fiquei chateada. Na verdade, não foi o fato isolado de dizer que acha feio, mas a forma como ela falou... Então, prefiro não saber as opiniões sobre isso!
Estamos muito felizes com mais um baby. Se com a Lívia tem sido maravilhoso, desejo e imagino que seja ainda mais com mais um serzinho em casa. Cansaço em dobro, fraldas em dobro por um período, mas felicidade em dobro, responsabilidades em dobro, blá blá blá em dobro!
Dessa vez, já sei como são as coisas, desde o biológico, psicológico até os conselhos dos "especialistas de plantão", então, ou estou ignorando ou estou rindo e fingindo que acredito! 
Talvez algumas pessoas se ofendam com minhas palavras aqui ou com o texto que iniciei esta postagem... O que tenho a dizer é "sinto muito", está lendo porque quer. Inclusive aproveito a oportunidade para dizer, novamente, o quanto é chato ter que ouvir coisas desagradáveis ou milhões de perguntas iguais, mas como já sei que gravidez, maternidade e afins geram curiosidade nas pessoas, estou aprendendo a lidar com isso... Talvez o bebê nasça e eu não tenha aprendido o suficiente, mas estou tentando. 
A roda viva vai ensinando a gente. Por hoje é isso. Meu próximo ultra-som é só em abril! Até lá, espero que a ansiedade não me consuma as energias! heheheh