Há sensações que eu
nunca esquecerei, principalmente quando se referem as minhas filhas.
Quando desconfiei estar
grávida pela segunda vez foi exatamente a mesma coisa que da
primeira vez: dois dias antes de menstruar eu já desconfiei que algo
estava diferente. Nos dias anteriores a data prevista para menstruar,
meu corpo costuma produzir uma secreção marrom, o escape, como
médicos costumam dizer. Mas naquele 10/12/13 nada veio. Nem 11/12.
Já estava com a pulga atrás da orelha, falei com uma amiga, e ela
já falou pra eu fazer o teste de farmácia. Afinal, o que eu estava
esperando? Boa pergunta. Fiquei com aquilo na cabeça. Uma
insegurança bateu de repente. Saí do trabalho, dia 11/12, passei na
farmácia e comprei o teste. Fui para casa, passou a tarde e o teste
ali lacrado. Guardei. Perto da hora de buscar a Lívia na escola, deu
vontade de fazer xixi e, então, eu pensei, “já que comprei o
teste, vou fazer”. Fiz. E a coragem para ver o resultado? Olhei.
Dois risquinhos. POSITIVO! Eu só pensava: “estou grávida, e
agora?” Que estranho... Eu já havia passado por isso e por que
estava me sentindo assim? Não sei. Fui buscar a Lívia na escola e
quase chegando lá comecei a chorar... Um medo invadiu meu ser. Medo
de não saber amar as duas crianças da mesma forma. Medo de deixar
de amar a Lívia, meu tesouro. Medo de não amar esse ser que já
está em meu espaço novamente. Peguei minha pequena, a abracei como
de costume e dali em diante não fui mais a mesma... Eu seria mãe
pela segunda vez nesta vida.
E o que dizer para o
Tiago? Quando ele abriu a porta de casa, a primeira coisa que eu
disse foi: “tenho uma coisa para te falar”. Ele disse: “tu tá
grávida?!”. Eu disse: “sim” e caí em prantos, pedindo para
que ele não brigasse comigo. Por que brigaria? Pensei eu porque
quando ele me perguntou se havia problema naquela noite, eu disse
“não”. Na verdade, foi uma resposta incompleta. A resposta
deveria ter sido “não sei”, pois era um dia de risco, com
possível fertilidade. E bastou! Engravidei naquele dia de novembro.
Bom... Depois de cair em
prantos, ele me abraçou e disse: “calma, agora é só nos
organizarmos”. Parecia tão fácil pensar assim! Mas como da
primeira vez, ficamos sem muito o que dizer sobre a gravidez.
Estávamos surpresos! Eu queria muito engravidar de novo, antes mesmo
do tempo que ele havia proposto (esperar a Lívia completar dois
anos), mas eu havia proposto que iniciássemos os trabalhos mais
cedo, já que da outra vez foram cerca de 6 meses até a Lívia ser
concebida. Então, era para eu estar pulando de alegria! E não
estava. Eu estava aflita. Eu estava com medo de não saber amar.
Depois disso, os mesmos
procedimentos: consulta com obstetra, exames de sangue de rotina,
incluindo o Beta HCG que determina a gravidez, e as orientações
gerais de um começo de pré-natal. Abrindo um parêntese, ao sair da
primeira consulta da segunda gravidez, com as requisições de exames
em mãos, titubeei antes de decidir ir ao laboratório coletar o
sangue para confirmar a gravidez. Exatamente como da primeira vez.
Mas voltei, coletei o sangue e pensei “seja o que Deus quiser”. E
assim foi. Na mesma tarde, saiu o resultado confirmando o que eu já
sabia.
Porém, nesta gravidez,
algumas coisas foram diferentes. Não espalhamos para Deus e o mundo
que estávamos grávidos. Contamos para nossos familiares mais
próximos, contei para minhas melhores amigas e ponto. Por quê? Por
que a primeira experiência já foi o suficiente para me mostrar que
os especialistas em úteros grávidos e afins brotam de lugares
inimagináveis e eu queria me preservar dos trilhares de
questionamentos e palpites, pelo menos enquanto a barriga fosse
disfarçável!
À medida que o tempo foi
passando, fomos contando a novidade para amigos, conhecidos,
desconhecidos (eu descobri que tenho o dom de conversar com estranhos
em diferentes lugares – consultórios, filas, sei lá...), colegas
de trabalho, etc, etc, etc. O facebook foi um espaço deixado por
último na lista de prioridades a serem informadas da nossa segunda
gravidez, pois ali o mundo está dentro de nossa casa e nós estamos
num mundo sem limites muitas vezes. Aguentamos bastante tempo.
E claro que a pessoinha
mais importante de nossas vidas até o momento, a Lívia, soube da
novidade em primeira mão. Como ela ainda é uma piolha, como a
costumo chamar carinhosamente, não dá para descarregar um monte de
informações e explicações a respeito de gravidez, bebê, irmão,
tudo de uma vez, ainda mais numa linguagem que ela entenda. Ela está
falando, entendendo, se apropriando do mundo da linguagem falada o
tempo todo, então com ela tudo tem que ser todos os dias e devagar.
Hoje, já sabemos que a Clarice está em nossa barriga. Já disse
diversas vezes à Lívia que a Clarice é um bebezinho que está
dentro da barriga da mamãe, que será irmã dela e que poderá
ensiná-la sobre todas as coisas que ela já sabe, que poderão
brincar juntas, enfim, compartilhar esse mundo juntas. Quando
perguntamos pra Lívia onde está a Clarice, ela imediatamente coloca
a mãozinha em minha barriga. Repete pra lá e pra cá “Caíce”.
Um amor de criança.
Dessa vez, decidi fazer
acompanhamento nutricional durante a gravidez, até porque já estava
fazendo desde os 8 meses de vida da Lívia fora da barriga. Mas
confesso que é muuuuuuuuuuuuito difícil respeitar o planejamento
alimentar feito por minha nutricionista. Ora por preguiça (grande
parte das vezes), ora por desleixo, ora por motivos que só uma
grávida pode inventar. No pensamento eu digo que vou fazer tudo
certinho, mas ao me deparar com alguma coisa que não deveria comer,
a coisa muda de figura. E, dependendo do dia, eu consigo me
controlar, mas ,como eu disse, é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito difícil
ser saudável. Logo que descobri essa gravidez, fiz mais dois dias de
academia e abandonei tudo! “Estou grávida!” Essa era a
justificativa! Kkkkkkkk Mas voltei a me mexer um pouco há cerca de
um mês... Retornei ao Pilates. Tem dias que parece que vou quebrar
ou arrebentar, de tão parada que estou. No primeiro mês, fiz
Pilates um dia por semana com drenagem também uma vez por semana.
Mas como ando muito de carro e, às vezes, não consigo caminhar por
aí, troquei a sessão de drenagem por mais um dia de Pilates na
semana e tenho me esforçado para caminhar mais.
Como da primeira vez, nas
primeiras semanas da gravidez, após descobri-la, pensei que seria
tudo lindo e maravilhosos e sem enjoos. Mas essa ilusão foi por água
abaixo com enjoos mais intensos do que da primeira vez. E algumas
coisas não pude mais nem ver na frente: alface e saladas em geral,
gorduras saudáveis, as oleaginosas (castanha de caju, do pará,
noz...). É isso que eu lembro. Mas minha nutricionista, é claro,
sugeriu alimentos que eu pudesse comer para suprir essas coisas que
eu nem queria imaginar no prato.
A azia iniciou mais cedo
do que da outra vez, principalmente no período inicial da gravidez,
até porque eu estava comendo mal pra caramba, então a acidez me
corroía. Depois que voltei à nutri, melhorou um pouco. Várias
vezes eu precisei dormir meio sentada...
Hoje eu me sinto bem e
mal! Kkkkkk Sabe aqueles desenhos que tem a pessoa com o anjinho
soprando num ouvido e um diabinho em outro? Então, me sinto sendo a
diabinha querendo enfiar o pé na jaca e comer e comer... E a anjinha
é minha nutri. Kkkkkk Diante disso, amo elogios do tipo: “De
costas nem parece que você está grávida. Você só tem barriga”.
Que lindo! Fico tão feliz! Kkkkkkkkk
Apesar de estar pouco
mais da metade da gestação, eu tenho me sentido muito cansada, pois
não tenho descansado quando chego em casa. Eu chego em casa e vou
fazer coisas domésticas para manter o mínimo de limpeza e
organização, além de garantir comida à mesa para a Lívia
principalmente!
No trabalho, tenho me
sentido como da outra vez, com uma vontade louca de ficar em casa
dormindo e contando os dias para minha licença-maternidade! Kkkk
Enfim... estou vivendo
mais um momento mágico, de criação, de geração de uma nova vida.
Isso é maravilhoso, espetacular! Sentir meu bebê mexendo é muito
legal, uma sensação da qual sentirei saudades... Pena que estou tão
ansiosa e, às vezes, corro o risco de não estar aproveitando tanto
essa gravidez como aproveitei a da Lívia, até porque não sou mais
marinheira de primeira viagem. Mas uma coisa posso afirmar, apesar de
eu já ter vivido isso uma vez, cada gravidez é única, cada
sentimento é único, cada bebê é único. O importante é saber
aproveitar, saber vivenciar cada momento. E tenho curtido muito essa
barriga, mesmo com meus loucos pensamentos, e curtido ainda mais cada
dia da vida da Lívia! Cada dia ela nos surpreende positivamente com
suas conquistas, seu crescimento, seu desenvolvimento! Sou muito
grata por tudo isso que estou vivendo e por ser protagonista da
história da minha filha! Não troco minha vida atual por uma vida de
balada, night, festas, liberdade para “curtir”. Prefiro curtir
minha família, é muito mais gratificante. Além disso, tenho me
tornado cada dia uma pessoa melhor para minhas filhas, para meu
marido, para o mundo e principalmente para mim.
Ai Mooooo!!!!!! Ameeeeeeiiiiiii!!!!! Chorei muuuuuuuito!!!!!!!
ResponderExcluirTenho muitas duvidas em relação a uma segunda gravidez. As vezes quero, as vezes NÃO!!!! Mas penso demais nisso. Muito mesmo.
Vai escrevendo qdo der.
Obrigada!!!!
Beijos aos 4! Hehehe...
Morgana, que lindos seus textos. Você transmite muita emoção em todos eles. Mágico. Amei saber que sou o "anjinho" na história hahahah Vamos em frente, mesmo com as dificuldades. Nos vemos em breve, querida. Parabéns pelas duas princesas!
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