quarta-feira, 30 de abril de 2014

Semelhanças e diferenças nas gravidezes

Há sensações que eu nunca esquecerei, principalmente quando se referem as minhas filhas.
Quando desconfiei estar grávida pela segunda vez foi exatamente a mesma coisa que da primeira vez: dois dias antes de menstruar eu já desconfiei que algo estava diferente. Nos dias anteriores a data prevista para menstruar, meu corpo costuma produzir uma secreção marrom, o escape, como médicos costumam dizer. Mas naquele 10/12/13 nada veio. Nem 11/12. Já estava com a pulga atrás da orelha, falei com uma amiga, e ela já falou pra eu fazer o teste de farmácia. Afinal, o que eu estava esperando? Boa pergunta. Fiquei com aquilo na cabeça. Uma insegurança bateu de repente. Saí do trabalho, dia 11/12, passei na farmácia e comprei o teste. Fui para casa, passou a tarde e o teste ali lacrado. Guardei. Perto da hora de buscar a Lívia na escola, deu vontade de fazer xixi e, então, eu pensei, “já que comprei o teste, vou fazer”. Fiz. E a coragem para ver o resultado? Olhei. Dois risquinhos. POSITIVO! Eu só pensava: “estou grávida, e agora?” Que estranho... Eu já havia passado por isso e por que estava me sentindo assim? Não sei. Fui buscar a Lívia na escola e quase chegando lá comecei a chorar... Um medo invadiu meu ser. Medo de não saber amar as duas crianças da mesma forma. Medo de deixar de amar a Lívia, meu tesouro. Medo de não amar esse ser que já está em meu espaço novamente. Peguei minha pequena, a abracei como de costume e dali em diante não fui mais a mesma... Eu seria mãe pela segunda vez nesta vida.
E o que dizer para o Tiago? Quando ele abriu a porta de casa, a primeira coisa que eu disse foi: “tenho uma coisa para te falar”. Ele disse: “tu tá grávida?!”. Eu disse: “sim” e caí em prantos, pedindo para que ele não brigasse comigo. Por que brigaria? Pensei eu porque quando ele me perguntou se havia problema naquela noite, eu disse “não”. Na verdade, foi uma resposta incompleta. A resposta deveria ter sido “não sei”, pois era um dia de risco, com possível fertilidade. E bastou! Engravidei naquele dia de novembro.
Bom... Depois de cair em prantos, ele me abraçou e disse: “calma, agora é só nos organizarmos”. Parecia tão fácil pensar assim! Mas como da primeira vez, ficamos sem muito o que dizer sobre a gravidez. Estávamos surpresos! Eu queria muito engravidar de novo, antes mesmo do tempo que ele havia proposto (esperar a Lívia completar dois anos), mas eu havia proposto que iniciássemos os trabalhos mais cedo, já que da outra vez foram cerca de 6 meses até a Lívia ser concebida. Então, era para eu estar pulando de alegria! E não estava. Eu estava aflita. Eu estava com medo de não saber amar.
Depois disso, os mesmos procedimentos: consulta com obstetra, exames de sangue de rotina, incluindo o Beta HCG que determina a gravidez, e as orientações gerais de um começo de pré-natal. Abrindo um parêntese, ao sair da primeira consulta da segunda gravidez, com as requisições de exames em mãos, titubeei antes de decidir ir ao laboratório coletar o sangue para confirmar a gravidez. Exatamente como da primeira vez. Mas voltei, coletei o sangue e pensei “seja o que Deus quiser”. E assim foi. Na mesma tarde, saiu o resultado confirmando o que eu já sabia.
Porém, nesta gravidez, algumas coisas foram diferentes. Não espalhamos para Deus e o mundo que estávamos grávidos. Contamos para nossos familiares mais próximos, contei para minhas melhores amigas e ponto. Por quê? Por que a primeira experiência já foi o suficiente para me mostrar que os especialistas em úteros grávidos e afins brotam de lugares inimagináveis e eu queria me preservar dos trilhares de questionamentos e palpites, pelo menos enquanto a barriga fosse disfarçável!
À medida que o tempo foi passando, fomos contando a novidade para amigos, conhecidos, desconhecidos (eu descobri que tenho o dom de conversar com estranhos em diferentes lugares – consultórios, filas, sei lá...), colegas de trabalho, etc, etc, etc. O facebook foi um espaço deixado por último na lista de prioridades a serem informadas da nossa segunda gravidez, pois ali o mundo está dentro de nossa casa e nós estamos num mundo sem limites muitas vezes. Aguentamos bastante tempo.
E claro que a pessoinha mais importante de nossas vidas até o momento, a Lívia, soube da novidade em primeira mão. Como ela ainda é uma piolha, como a costumo chamar carinhosamente, não dá para descarregar um monte de informações e explicações a respeito de gravidez, bebê, irmão, tudo de uma vez, ainda mais numa linguagem que ela entenda. Ela está falando, entendendo, se apropriando do mundo da linguagem falada o tempo todo, então com ela tudo tem que ser todos os dias e devagar. Hoje, já sabemos que a Clarice está em nossa barriga. Já disse diversas vezes à Lívia que a Clarice é um bebezinho que está dentro da barriga da mamãe, que será irmã dela e que poderá ensiná-la sobre todas as coisas que ela já sabe, que poderão brincar juntas, enfim, compartilhar esse mundo juntas. Quando perguntamos pra Lívia onde está a Clarice, ela imediatamente coloca a mãozinha em minha barriga. Repete pra lá e pra cá “Caíce”. Um amor de criança.

Dessa vez, decidi fazer acompanhamento nutricional durante a gravidez, até porque já estava fazendo desde os 8 meses de vida da Lívia fora da barriga. Mas confesso que é muuuuuuuuuuuuito difícil respeitar o planejamento alimentar feito por minha nutricionista. Ora por preguiça (grande parte das vezes), ora por desleixo, ora por motivos que só uma grávida pode inventar. No pensamento eu digo que vou fazer tudo certinho, mas ao me deparar com alguma coisa que não deveria comer, a coisa muda de figura. E, dependendo do dia, eu consigo me controlar, mas ,como eu disse, é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito difícil ser saudável. Logo que descobri essa gravidez, fiz mais dois dias de academia e abandonei tudo! “Estou grávida!” Essa era a justificativa! Kkkkkkkk Mas voltei a me mexer um pouco há cerca de um mês... Retornei ao Pilates. Tem dias que parece que vou quebrar ou arrebentar, de tão parada que estou. No primeiro mês, fiz Pilates um dia por semana com drenagem também uma vez por semana. Mas como ando muito de carro e, às vezes, não consigo caminhar por aí, troquei a sessão de drenagem por mais um dia de Pilates na semana e tenho me esforçado para caminhar mais.

Como da primeira vez, nas primeiras semanas da gravidez, após descobri-la, pensei que seria tudo lindo e maravilhosos e sem enjoos. Mas essa ilusão foi por água abaixo com enjoos mais intensos do que da primeira vez. E algumas coisas não pude mais nem ver na frente: alface e saladas em geral, gorduras saudáveis, as oleaginosas (castanha de caju, do pará, noz...). É isso que eu lembro. Mas minha nutricionista, é claro, sugeriu alimentos que eu pudesse comer para suprir essas coisas que eu nem queria imaginar no prato.

A azia iniciou mais cedo do que da outra vez, principalmente no período inicial da gravidez, até porque eu estava comendo mal pra caramba, então a acidez me corroía. Depois que voltei à nutri, melhorou um pouco. Várias vezes eu precisei dormir meio sentada...
Hoje eu me sinto bem e mal! Kkkkkk Sabe aqueles desenhos que tem a pessoa com o anjinho soprando num ouvido e um diabinho em outro? Então, me sinto sendo a diabinha querendo enfiar o pé na jaca e comer e comer... E a anjinha é minha nutri. Kkkkkk Diante disso, amo elogios do tipo: “De costas nem parece que você está grávida. Você só tem barriga”. Que lindo! Fico tão feliz! Kkkkkkkkk

Apesar de estar pouco mais da metade da gestação, eu tenho me sentido muito cansada, pois não tenho descansado quando chego em casa. Eu chego em casa e vou fazer coisas domésticas para manter o mínimo de limpeza e organização, além de garantir comida à mesa para a Lívia principalmente!

No trabalho, tenho me sentido como da outra vez, com uma vontade louca de ficar em casa dormindo e contando os dias para minha licença-maternidade! Kkkk


Enfim... estou vivendo mais um momento mágico, de criação, de geração de uma nova vida. Isso é maravilhoso, espetacular! Sentir meu bebê mexendo é muito legal, uma sensação da qual sentirei saudades... Pena que estou tão ansiosa e, às vezes, corro o risco de não estar aproveitando tanto essa gravidez como aproveitei a da Lívia, até porque não sou mais marinheira de primeira viagem. Mas uma coisa posso afirmar, apesar de eu já ter vivido isso uma vez, cada gravidez é única, cada sentimento é único, cada bebê é único. O importante é saber aproveitar, saber vivenciar cada momento. E tenho curtido muito essa barriga, mesmo com meus loucos pensamentos, e curtido ainda mais cada dia da vida da Lívia! Cada dia ela nos surpreende positivamente com suas conquistas, seu crescimento, seu desenvolvimento! Sou muito grata por tudo isso que estou vivendo e por ser protagonista da história da minha filha! Não troco minha vida atual por uma vida de balada, night, festas, liberdade para “curtir”. Prefiro curtir minha família, é muito mais gratificante. Além disso, tenho me tornado cada dia uma pessoa melhor para minhas filhas, para meu marido, para o mundo e principalmente para mim.

2 comentários:

  1. Ai Mooooo!!!!!! Ameeeeeeiiiiiii!!!!! Chorei muuuuuuuito!!!!!!!
    Tenho muitas duvidas em relação a uma segunda gravidez. As vezes quero, as vezes NÃO!!!! Mas penso demais nisso. Muito mesmo.
    Vai escrevendo qdo der.
    Obrigada!!!!
    Beijos aos 4! Hehehe...

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  2. Morgana, que lindos seus textos. Você transmite muita emoção em todos eles. Mágico. Amei saber que sou o "anjinho" na história hahahah Vamos em frente, mesmo com as dificuldades. Nos vemos em breve, querida. Parabéns pelas duas princesas!

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