Hoje a Lívia está com 47 dias de vida fora da barriga. Uma mocinha linda, gorducha e cada dia mais amável!
Enquanto minha florzinha dorme, resolvi escrever um pouco sobre amamentação e regurgitação.
AMAMENTAÇÃO
Amamentar é um ato de amor. Desde o primeiro momento que me imaginei mãe, me imaginei amamentando no peito. É um ato de doação da mãe para o bebê, não só do alimento que o nutre - leite, mas também de amor, carinho, cumplicidade, afeto. É o vínculo mais forte que há entre a mãe e seu bebê após o nascimento dele.
É importante dizer, no entanto, que amamentar não é fácil. É uma tarefa que exige paciência infinita.
Quando o bebê nasce, o primeiro leite que vem é o colostro, o mais "porreta" para deixar o bebê forte e imune contra um monte de doenças e alergias. O meu colostro já estava armazenado e saía dos seios antes mesmo de a Lívia nascer. Mesmo fazendo parto cesariana, tive um trabalho de parto longo, então provavelmente os hormônios desse trabalho facilitaram a descida do leite, possibilitando que a Lívia mamasse desde o primeiro momento em que esteve comigo, ainda na sala de recuperação. O colostro era transparente e depois ficou bem amarelo. Com o passar dos dias, o colostro "se transformou" em leite. O branquinho mesmo. E esse leite é dividido em três partes fundamentais para o bebê: 1ª: água e açúcar, 2ª: proteína e 3ª: gordura. Dessa forma, o bebê precisa mamar todas essas partes do leite para que cresça saudável e ganhe peso. Por isso que o correto é dar apenas um peito por mamada para o bebê. E quando ele ainda não esvaziou esse peito, dar o mesmo peito da mamada anterior na próxima mamada para que o bebê o "esvazie", ingerindo o leite com gordura.
Abrindo um parêntese: no meu caso, não houve ainda peito totalmente vazio, sem leite algum. O meu peito fica "vazio" quando a Lívia mama até ele ficar bem molinho e murcho, sem nenhum "carocinho", mas sempre sai um pouco de leite. Isso eu li num artigo na internet (não lembro a fonte) e confirmei na prática. Como eu produzo muito leite - segundo uma médica que me atendeu na emergência, eu poderia amamentar trigêmeos, já que meus peitos foram feitos para amamentar - a Lívia não dá conta de esvaziar numa mamada, então ela mama pelo menos duas vezes no mesmo peito. Tento uma terceira vez, mas é difícil, pois o outro peito que está à espera dela já fica estourando de leite. Então, ela geralmente mama duas vezes no mesmo peito e passa para o outro na próxima mamada. Quando um peito está muito, mas muito cheio, sou obrigada a ordenhá-lo, assim a Lívia mama com mais facilidade e não fica leite retido no peito. O leite retido pode gerar dores, dificuldade para o leite sair, empedramento do leite e até mastite. Fecha parêntese.
Sobre a paciência. A amamentação exige paciência. No começo da amamentação principalmente, pois tanto o bebê como a mãe precisam aprender como se dá esse processo. O bebê precisa aprender como se pega a mama (não só o bico, mas boa parte da aréola junto - como as minhas são muito grandes, não ficam totalmente na boca da Lívia), e a mãe aprender a perceber se a pega está correta, ela também precisa aprender a tirar a mama da boca do bebê (colocando o dedinho dentro da boca do bebê e puxando o bico para fora para que ele não o machuque), precisa saber posicionar o bebê corretamente para mamar.
Aprendindas essas coisas, é necessário que a mãe se dedique para a amamentação, sentando em um local confortável, sem muita "turbulência" e fique atenta a seu bebê. Eu dou de mamar no meu quarto, tanto na poltrona de amamentação como na cama, e também no sofá da sala, com ou sem televisão ligada (quando ligada, eu controlo o volume de acordo com o programa que está passando). Se é dia, mantenho janelas abertas e luzes acesas, se é noite, mantenho apenas um abajur ligado ou uma outra luz não tão forte.
Sobre o tempo de amamentação: relativo. Tudo depende do bebê. No começo, a Lívia mamava entre 5 a 15 minutos e dormia pesado. Não adiantava fazer cócegas nos pezinhos, mexer com ela, balançar... nada... ela dormia. Só trocando a fralda para ela acordar. Hoje, ainda ocorre de ela mamar 15, 20 minutos e dormir, mas como já sei que ela mama pelo menos meia hora para "aguentar" mais tempo dormindo, eu tento acordá-la ou espero ela "se lembrar" e acordar e pegar o peito de novo. Ela mama meia hora, 40 minutos, uma hora... depende do horário, da fome. Percebi que ela mama uma hora ou mais no início da noite, quando o Tiago já está em casa. De madrugada, ela tem acordado uma vez para mamar, então eu troco a fralda primeiro e depois eu a amamento. Antes eu a amamentava primeiro, mas ocorria de ela mamar pouquinho tempo e dormir. Daí eu trocava a fralda - ela regurgitava durante a troca - para depois continuar amamentando, só que ficava muito cansativo para mim e para o Tiago, pois o tempo acordados se prolongava muito. O Tiago ajuda fazendo a Lívia arrotar. Ainda estou aprendendo nesse processo... a Lívia também, mas já posso dizer que amamentar é muito bom, é gratificante, um ato diário de fortalecimento de vínculo com minha filha.
Ah, já estava esquecendo... a Lívia mama, geralmente durante o dia, de 2h em 2h ou de 3h em 3h. À noite, antes de dormir, acontece de ser de 1h em 1h... E quando resolvo sair com ela para passear por aí, milagrosamente o anjo da guarda dela faz com que o intervalo fique de 3h em 3h, então ela mama, arrota, eu troco a fralda e então saímos, para aproveitar o "tempo livre" ao máximo. Mas sempre estou preparada para amamentar em qualquer lugar que eu esteja com ela, pois onde eu vou, ela vai junto.
REGURGITAÇÕES
Bebês regurgitam. As regurgitações variam em quantidade de leite e de vezes no dia. A Lívia regurgita, e é algo que me preocupa. Também me chateia quando dá um banho de leite nela e em mim, fazendo com que se pare tudo e se troque as roupas dela e minhas. Por isso que ela está seeeempre com um babeiro, uso um paninho de boca na hora de amamentar e para secar as regurgitações e uma toalhinha para colocar na pessoa que a fará arrotar. Massss... mesmo com todas essas "barreiras", não há garantias de que se saia completamente limpo dessa jogada! ;)
Na maternidade, ela regurgitava uma gosma amarela, por causa da cor do colostro. Em casa, ela regurgita o leite recém mamado ou uma gosma branca com cheiro de azedo.
Nas duas consultas da Lívia ao pediatra, uma com 9 dias e outra com 1 mês e 9 dias, eu perguntei a ele se era normal ela regurgitar tanto, ele disse sim. Normal e muito comum na maioria dos bebês. Como ela está crescendo e ganhando peso com saúde, não há com o que se preocupar. Ele orientou a deixar o berço um pouco elevado na cabeceira. Claro que antes das consultas, já li em artigos na internet (sem fonte) que é normal desde que o bebê não chore após a regurgitação. Ou seja, ele não está com o organismo irritado de regurgitar (o que poderia ser refluxo). O bebê regurgita porque mamou leite em excesso ou uma bolha de ar que ele ingeriu mamando sai e empurra leite junto. A mãe não precisa se preocupar. Só ter paciência (mais uma vez) para limpar as babinhas azedas ou até mesmo trocar a roupa toda do bebê mais de uma vez por dia! Sempre coloco a Lívia para dormir de lado, para que o excesso de leite saia com facilidade e diminua o risco de ela se afogar caso ela venha a regurgitar.
SOFRIMENTOS NA AMAMENTAÇÃO
Passei por dois momentos bem sofridos no processo de amamentação. Tive fissura e mastite.
A fissura foi na primeira semana de vida da Lívia... aquela história de mãe e o bebê aprenderem a pega correta do bebê no seio. Algo deu errado nesse início e meu seio fissurou. Foi horrível, quando ela pegava o peito para mamar, eu chorava de dor. Fui à emergência, e o médico mandou eu usar 'Mamare' e conchas de amamentação.
Quando a Lívia estava com 1 mês de vida, eu tive mastite no mesmo seio. Por algum motivo, as glândulas mamárias inflamaram e tive dores, vermelhidão no seio e febre alta. A febre caracteriza a mastite. Fui novamente à emergência. A médica receitou medicamento para dor/febre, anti-inflamatório (3 dias) e antibiótico (7 dias).
No quarto dia após o fim do tratamento com antibiótico, senti dores no mesmo peito. Achei que fosse mastite novamente, mas não era, pois não havia febre. Fui à emergência mais uma vez, e a médica constatou que há muita produção de leite para pouca demanda, ou seja, a Lívia não consegue dar conta sozinha de todo o leite que tem para ela. Dessa forma, a médica mandou eu tomar anti-inflamatório, ordenhar sempre que necessário, fazer gelo no peito para diminuir a produção de leite.
Observação importante: nos três casos citados não deixei de amamentar a Lívia. Amamentar no peito "problemático" é uma forma de ajudar a curá-lo e sempre recomendado pelos profissionais de saúde.
Bom... acho que era isso que eu tinha para dizer. Muitas dúvidas ainda circulam em minha cabeça, então não tenho tanta propriedade para me prolongar no assunto, quem sabe daqui alguns meses eu possa falar de novo sobre amamentação e regurgitação.
Aqui vão algumas fotinhos para curtirem esse ato mágico que é amamentar.
Primeira mamada da Lívia - 09/06/2012 - maternidade.
Em casa, dia 14/06/2012. Lívia com 05 dias.
Em casa, dia 17/06/2012. Lívia com 08 dias.
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