Ultimamente tenho acompanhado fotos, textos, comentários e afins a respeito da importância de ser ter o pai presente na vida e na educação das crianças. Concordo. Até porque pai não ajuda, pai educa!
Tenho ouvido também que trocar fraldas é básico. Concordo, mas para mim pai mesmo só tem duas coisas que não pode fazer por questões de natureza biológica, mas que não diminui sua importância na vida da criança: parir e amamentar. O "resto" todo pai deve e pode, pode e deve fazer!
Pais dessa geração atual que estão lendo este texto, que se acham o máximo, que se enchem de orgulho por fazerem tanto na vida dos pequenos, eu lamento dizer que vocês não foram os primeiros a iniciar essa era do pai presente! Calma! Vocês continuam sendo o máximo, se achando orgulhosos porque, afinal, pai é pai!
Mas quem iniciou a era do pai presente foi meu Pai! A era à qual me refiro é também chamada de A Era Pãe!
Meu pai foi pai sem querer duas vezes. Meu pai morou longe de mim muito tempo da minha infância, mesmo assim, foi um pai presente. Já não moro na mesma cidade que ele há quase 13 anos, mesmo assim, ele continua muito presente.
Meu pai é O cara! Quando eu tinha 11 anos, nós dois fomos morar juntos, isso era fim de 1995. Na época, era algo incomum uma criança não ficar com a mãe. Minha mãe preferiu ficar sem nós, preferiu ficar sozinha. Uma escolha dela, dolorosa para todos, porém muito saudável também. Eu não seria eu hoje se aquela separação não tivesse ocorrido, acho que eu seria muito mais triste.
Bom... Morei só com meu pai durante 06 anos e deu tudo certo!
No fim de 2001, quando minha irmã tinha 03 anos, meu pai ganhou a guarda dela e passamos a viver os três juntos. O ano de 2002 foi bem conturbado. Imagina... um pai, uma filha adolescente e uma menininha no auge dos seus 04 anos! Foi uma guerra! Uma guerra saudável!
Eu não sei dizer se meu pai chegou a trocar fraldas minhas ou da minha irmã... Mas eu sei que ele deu o melhor dele para que fôssemos meninas direitas, educadas, felizes e, sobretudo, de "cabeça boa". Somos tudo isso e muito mais.
A relação da minha mãe comigo e com minha irmã não é a das melhores, mas é a mãe que temos, ponto! Ela fez as escolhas dela e infelizmente não acompanhou boa parte da nossa vida por conta do que ela achou ser mais importante naquele momento em que decidiu viver sem nós.
Meu pai é um cara normal, trabalhador, curte um futebol e uma cerveja, cumpre com sua obrigação de pai, hoje também de avô, é honesto e com boa parte dos cabelos beeem grisalhos... Imagina só ter duas filhas e duas netas...
Ele já foi "meu pai, meu herói", acho que todo pai é um pouco disso na nossa vida, mas hoje ele é só meu pai. Eu o admiro muito porque cumpriu e cumpre seu papel de pai com muita honestidade e simplicidade. Ele não vai me deixar uma herança material significativa, mas com certeza o seu legado moral vale mais que uma vida.
Hoje o conceito de família vai para além de pai, mãe e filhos biológicos. Filhos são filhos, sejam biológicos ou adotados... Mãe é mãe, seja biológica, de coração, seja vó, seja tia, seja madrinha... Pai é pai, seja biológico, de coração, seja vô, seja tio, seja padrinho... Família é família. Família é o grupo de pessoas que você convive todos os dias, divide o mesmo teto e compartilha os momentos da vida.
Não estou defendendo que haja pais assim ou assados, que família sem pai não é família. Não. Defendo uma vida com amor, com responsabilidades compartilhadas de forma a assegurar uma vida saudável, sobretudo, para as crianças. Por fim, dedico este texto a uma pessoa de muito valor na minha vida: meu Pai - José Alberto Johann, vulgo "Vovô Beto"!
Meu pai com minhas filhas Lívia (03 anos) e Clarice (01 ano).
Foto de Morgana Dias Johann. Abril de 2015.
